Economia em alta no Nordeste atrai empresas inovadoras para a região

27 julho 2015
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“Processo recente de dinamização é marcado pela presença, na maioria dos estados, de novos empreendimentos, como as startups, e de grandes grupos nacionais e internacionais”

Enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,1% em 2014, a economia nordestina apontou elevação de 3,7% segundo o Índice de Atividade Econômica Regional do Banco Central (IBCR). E esse processo recente de dinamização foi marcado pela presença, na maioria dos estados, de novos empreendimentos, como as startups, e de grandes grupos nacionais e internacionais.

Para fortalecer ainda mais esse cenário de inovação na região Nordeste, a Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei) realiza entre os dias 24 e 26 de agosto a 15ª Conferência Anpei de Inovação Tecnológica (www.anpei.org.br/15conferencia). Nesta edição, o tema será “Inovação e Competitividade Globais: Construindo as Pontes com o Futuro”. O evento acontece em Cabo de Santo Agostinho, região metropolitana do Recife – PE, reunindo os principais atores do sistema nacional de inovação com especialistas do Brasil e do exterior. O evento conta com apoio institucional da Secretaria de Ciência, Tecnoligia e Inovação (Sectec).

“Uma política importante, que tem potencializado a tendência a um cenário promissor de inovação na região, diz respeito à busca pela atração, junto com as empresas, de centros de desenvolvimento em parceria com instituições de ciência e tecnologia locais. Desta forma, o cenário é promissor e a competitividade é crescente, mas o caminho é longo”, afirma o diretor de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Sectec) do Estado de Pernambuco, Alexandre Stamford, que acrescenta: “Uma forma de aumentar rapidamente a competitividade da região é investir em infraestrutura, mobilidade e redes de comunicação”.

De acordo com o superintendente do Sebrae – PE, Oswaldo Ramos, as mudanças na estrutura produtiva do Nordeste – associadas à modernização nos três setores econômicos – promoveram importantes avanços na base de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) da região, viabilizando um melhor cenário de inovação, se comparado, por exemplo, com o contexto do início dos anos 2000.

“Destacam-se, entre tais mudanças, a produção de grãos e a fruticultura irrigada, na agropecuária; a implantação de parques renovados, como o naval, o automotivo e o de hemoderivados, na indústria; e a consolidação da prestação de serviços especializados, no setor de comércio e serviços. Com isso, é certo que a competitividade regional foi alçada a novo patamar, permitindo aos estados da região vislumbrarem a possibilidade de acessar novos mercados, inclusive no exterior”, explica Ramos.

Para Adalberto Moreira Campello Filho, gerente de operações do Instituto de Tecnologia Edson Mororó Moura (ITEMM), do Grupo Moura, localizado em Belo Jardim – PE, o ponto positivo da região é a quantidade de oportunidades disponíveis. “O Nordeste passou por um importante processo de industrialização recente e de expansão significativa do comércio. Mas ainda há muito a ser feito, inclusive para o desenvolvimento de uma cultura de P&D entre academia e empresas”.

A dificuldade em encontrar móveis de design em Recife – PE, motivou o arquiteto Matheus Ximenes Pinho e seu sócio Diego Ortiz a abrirem em 2014 a startup Muma, que se dedica ao e-commerce de móveis. “O Nordeste – em especial Pernambuco, com o Parque Tecnológico Porto Digital – já se consolidou como região promissora e, sem dúvidas, é uma opção certeira para investir em inovação, ressalta Pinho, diretor comercial da Muma, que também dá dicas para as empresas que pretendem inovar: “é preciso utilizar-se da posição geográfica como vantagem em relação aos players do Sul e Sudeste e focar no mercado interno da região. Por estarmos aqui, conseguimos garantir melhores prazos e preços para clientes locais”.

Alexandre Stamford acredita que as empresas precisam conhecer detalhadamente os processos de produção e as tendências das novas gerações de seus produtos para garantir uma estratégia de inovação sólida. “É importante criar e consolidar seus centros de P&D em articulação com instituições nacionais e internacionais, usando, quando possível, estratégias de open innovation, e articular-se com instituições de C&T que possam apoiar os processos de P&D internos”, aponta o diretor de inovação da Sectec- PE.

Segundo Oswaldo Ramos, duas características se sobressaem, no Brasil e no Nordeste, no desenvolvimento de novas soluções. “A primeira é a concentração de esforços em setores de baixa e média intensidade tecnológica. A segunda diz respeito à aquisição de tecnologias desenvolvidas sob encomenda, ou já aplicadas a outras realidades. Disso resulta a seguinte dica: há possibilidade de avançar em setores mais dependentes da inovação, atrelados à nova base produtiva do Nordeste, como também existem oportunidades criadas pela demanda dessas empresas por produtos e serviços que, para elas, não compensa internalizar no processo produtivo”.

Adalberto Moreira Campello Filho aponta que é essencial atender as necessidades dos clientes e estabelecer uma política de inovação e de roadmap tecnológico do negócio. “Além disso, é fundamental um alinhamento com as vocações naturais da região, que podem gerar novas oportunidades, como a expansão das energias renováveis, o crescimento da cadeia da indústria automobilística e o nascimento de um polo fármaco”, acrescenta o gerente de operações do ITEMM.