Desigualdade como desafio para a inovação inclusiva

by Ailton Pedroza
2 anos ago
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O desenvolvimento da inovação inclusiva vem sendo discutido entre os participantes do II Simpósio Internacional do Conhecimento e Inovação de Pernambuco (SIGCI) desde o domingo (26). Articulado entre a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e o grupo de pesquisadores em Inovação, Tecnologia e Território (GRITT) da UFPE, o encontro segue até esta terça-feira (28) e a expectativa é que os debates resultem em uma agenda propositiva.

dsc_4948A abertura do Simpósio contou com a conferência da professora Susan Cozzens, de Georgia Tech (USA), com o tema Alianças do Conhecimento para a Inovação Inclusiva através de uma agenda de pesquisa transdisciplinar. A professora destacou que para enfrentar o desafio de um desenvolvimento inclusivo é preciso considerar as desigualdades. “É consenso: as desigualdades afetam o crescimento, que desacelera quando os ricos ficam mais ricos. Já o PIB cresce quando os pobres estão melhorando de condição”, ponderou.

Nessa linha, o crescimento inclusivo geraria um desenvolvimento mais sustentável e mais empregos. “É tempo de agir e fazer o crescimento inclusivo”, destacou. Como caminho, Susan cita a busca por uma educação mais acessível, com qualidade e igualdade. Ela reforça que a alta tecnologia é um meio, mas não é o único. “A inovação é necessidade básica e a tecnologia é conhecimento local. Elas precisam estar juntas”, reforçou.

A secretária de CT&I, Lúcia Melo, participou da abertura e falou sobre a relevância do tema para o país e o mundo. “Precisamos dar conta de entrar nessa nova era industrial e reduzir as desigualdades. Esse tema desperta muito interesse entre os gestores de CTI e desenvolvedores econômicos”, destacou, citando que Pernambuco possui uma estratégia contemporânea (ECTI-PE 2017-2022) para guiar as políticas públicas do estado.

Experiências – O pesquisador do CONICET (Argentina), Mariano Fressoli, defende as plataformas abertas como forma de fortalecer a inteligência coletiva e acelerar os resultados. “A informação é como um bem de consumo, assim como a terra, água, ar. A tecnologia é a ferramenta e a ciência não deveria ser uma propriedade”, disse, citando ainda o programa Um milhão de Cisternas, entre outras iniciativas, como uma experiência de inovação inclusiva desenvolvida no Brasil.

Ana Cristina Fernandes, professora e pesquisadora líder do GRITT, abordou a importância das mudanças de conceitos e citou como essas questões estão presentes na Estratégia de Pernambuco. “Nós consideramos as características territoriais como uma condição fundamental. O território é uma construção social, assim como a inovação”, disse.

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