É boato! Mas vamos falar de Ciência?

by Ailton Pedroza
3 anos ago
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Por Espaço Ciência

Relaxe! Não há nenhum planeta misterioso em rota de colisão com a Terra. Mais um boato sobre fim do mundo se espalhou pelos meios de comunicação e redes sociais nos últimos dias. Segundo o numerólogo e autor do livro Planeta X, David Meade, um enorme planeta misterioso colidirá com a Terra e destruirá a humanidade neste sábado (23).

Não é a primeira vez que o tal planeta Nibiru aparece em teorias sobre fim do mundo. Nibiru deriva de obras do antigo escritor Zecharia Sitchin e suas interpretações da mitologia babilônica e suméria. Em 95, ele foi resgatado por Nancy Lieder que, entre outras coisas, dizia possuir um implante cerebral que lhe permitiria falar com alienígenas. Segundo ela, Nibiru tinha cerca de quatro vezes o tamanho da Terra e destruiria a humanidade em 2003. Não aconteceu.

Em 2012, mais uma vez, o boato do Nibiru, associado a teorias relacionadas ao calendário Maia, voltou a assombrar o mundo. Não aconteceu. Agora, David Meade revive o cataclismo de Nibiru, ligando-o a profecias e passagens bíblicas, interpretações numerológicas e associações com o eclipse solar de agosto. Tudo isso não passa de boatos e imaginação. Mas, que tal aproveitar o momento para falar de Ciência?

Evidências – Segundo Cleiton Batista, da coordenação do Observatório da Sé, existem evidências da existência de um nono ou até um décimo planeta no nosso sistema solar. Mas não estaria em rota de colisão com o nosso planeta. “Se realmente existisse um planeta próximo da Terra ou em rota de colisão, saberíamos, no mínimo, há uma década. Ele seria facilmente visível a olho nu e criaria efeitos na órbita de planetas externos, que estão além do cinturão de asteroides”, diz.

Batista explica que um objeto do tamanho de Marte teria de estar a, no mínimo, 300 UA (trezentas unidades astronômicas) para não ser detectado pelos equipamentos de monitoramento. Ou seja, cerca de dez vezes a distância média de Netuno para o Sol.

Vale ressaltar: corpos celestes que ofereçam risco são monitorados em todo o mundo. Aqui, bem pertinho de nós, no município de Itacuruba, Sertão de Pernambuco, o projeto IMPACTON integra o Observatório Nacional e o Brasil aos programas internacionais de busca de asteroides e cometas em risco de colisão com a Terra. O projeto é desenvolvido por meio do Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (OASI), uma referência mundial no estudo e monitoramento de asteroides.

O Sistema Solar tem hoje oito planetas reconhecidos pela IAU (União Astronômica Internacional em português), além de cinco planetas anões e mais de 470 satélites naturais reconhecidos. A estrela mais próxima do nosso Sol é a estrela Proxima Centauri ou Alpha Centauri C, uma anã vermelha que está a aproximadamente 4,25 anos-luz do Sol.
Entre as galáxias conhecidas atualmente a mais próxima é a Galáxia Anã do Cão Maior, descoberta em 2003, que está a 25.000 anos-luz do centro da nossa Via Láctea e a 42.000 anos-luz do Sistema Solar.

Diante disso, pode relaxar: a Terra não vai acabar neste sábado (23).

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