Josué de Castro: combateu a fome e transformou o tema em assunto de relevância científica

by Ailton Pedroza
3 anos ago
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Do Espaço Ciência

Completaria 109 anos nesta terça-feira (5/09), o homem que transformou a fome – algo tão presente no cotidiano dos países subdesenvolvidos – em assunto de relevância científica. Em suas principais obras, Josué de Castro, médico de formação e geógrafo por atuação, decidiu romper o silêncio sobre o tema que, segundo ele, era tratado como um dos tabus de nossa civilização.

“Foram os interesses e os preconceitos de ordem moral e de ordem política e econômica de nossa chamada civilização ocidental que tornaram a fome um tema proibido, ou pelo menos pouco aconselhável de ser abordado publicamente”, afirmou, em seu livro “Geografia da Fome”, escrito em 1946, quando tinha 38 anos.

Mas o percurso de Josué de Castro contra as desigualdades, a fome e a injustiça começou a ser trilhado muito antes. Em 1932, aos 24 anos, ele escreveu “Condições de vida das classes operárias do Recife”, pesquisa pioneira que estabeleceu, pela primeira vez, as relações entre a produtividade do trabalhador e sua alimentação.

Formado em medicina no Rio de Janeiro, foi na geografia que ele encontrou seu rumo. Cada um dos livros e textos publicados por Josué de Castro, a exemplo de “Geografia da Fome”, “Geopolítica da Fome”, “Homens e Caranguejos” e “Sete Palmos de Terra e um Caixão” denuncia problemas como a desigualdade, a fome e a importância da reforma agrária.

Foram esses temas que ele colocou em discussão como conferencista oficial em países como a Argentina (l942), os Estados Unidos (l943), a República Dominicana (l945), o México (l945) e a França (l947). Castro foi delegado do Brasil na Conferência de Alimentação e Agricultura das Nações Unidas, em 1947; foi Presidente do Conselho da Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) entre 1952 e 1956; Presidente da Associação Mundial de Luta Contra a Fome (ASCOFAM); Presidente eleito do Comitê Governamental da Campanha de Luta Contra a Fome da ONU, em 1960; Embaixador do Brasil na ONU, em 1962 a 1964.

Ele exercia o cargo de deputado federal quando veio o golpe militar. Por tratar de temas tão incômodos para as oligarquias dominantes, foi considerado subversivo, cassado e exilou-se na França, onde faleceu em 1973, ainda inconformado com o exílio. LEIA MAIS SOBRE JOSUÉ DE CASTRO.

NOTÁVEIS – Josué de Castro foi incluído, em 2009, na lista de homenageados do projeto Caravana Notáveis Cientistas de Pernambuco. O projeto, realizado em parceria entre o Espaço Ciência e o pesquisador Ivon Fittipaldi, busca reconhecer e divulgar o papel dos cientistas pernambucanos. Junto com o Ciência Móvel, ele integra a Ação Itinerante do Espaço Ciência. LEIA MAIS SOBRE A CARAVANA.

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